sábado, 25 de dezembro de 2010

Pressa ou perfeição?

Quantas vezes ouvimos falar que "a pressa é inimiga da perfeição"? Para quem trabalha em uma cozinha, pressa e perfeição caminham juntas. É regra. A habilidade e a velocidade são dois importantes atributos de um bom cozinheiro.

"A cozinha é uma atividade artesanal que exige habilidade manual”

(Laurent Suaudeau).

Umas das primeiras coisas que aprendemos em qualquer curso de cozinha (técnico ou universitário) são as técnicas cortes em legumes. No início é uma, uma série de coisas para lidar, ao mesmo tempo: a organização da bancada, a limpeza e posição da tábua, o jeito de segurar o legume, a postura do corpo para executar os cortes, a forma de segurar a faca, o movimento correto das mãos...

Com tanta coisa, o resultado final dificilmente é satisfatório. Só a prática e a repetição ajudam a aprimorar a técnica.

No início do aprendizado é importante observar bem todos os detalhes. Claro que, em conseqüência, executaremos as tarefas com mais lentidão. Mas garanto que vale à pena investir um pouco mais de tempo nesse aprimoramento. De que vale cortar quilos de cebola em tempo recorde se não utilizarmos as técnicas corretas?

Nos cursos, durante as aulas de cortes somos colocados lado a lado com os colegas e enquanto executamos os cortes é possível observar que uns são mais rápidos que outros. Nem sempre o mais rápido é o melhor. Observe que quem executa o corte com rapidez, mas de forma inadequada, fará isso a vida toda – cria vícios que são difíceis de corrigir.

No entanto quem executa a mesma tarefa com um pouco mais de cuidado, respeitando as técnicas, hoje pode levar mais tempo para realizar um corte simples, mas a prática o levará inevitavelmente a executar a mesma tarefa, com perfeição, em um tempo bem menor.

Às vezes vejo alguns colegas “se amarrando” para não cortar legumes, ou porque acham que já sabem ou por considerar uma atividade menos importante. Tento encarar essas atividades como uma oportunidade de melhorar aquilo que já sei. Em que outro momento eu teria dezenas de quilos de legumes à disposição só para “treinar”?


Que venham as batatas, cebolas e tomates então! Pepinos e cenouras, NÃO!!! (Lá, ele!!!)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Facas


Meu primeiro contato com uma faca de uso profissional foi em um curso de culinária típica que fiz no ano passado. Observei que enquanto os colegas preferiam usar as facas menores com 6 ou 8 polegadas, nosso instrutor tinha preferência pelas de 12 ou 14, mesmo para fazer cortes simples em legumes.

Quando o indaguei sobre a preferência, ele me explicou que uma faca grande bem amolada, faz o trabalho de corte praticamente sozinha. Cabe-nos o trabalho de guiar a faca - e seu peso executa o corte.

Isso pesou na hora de escolher minhas primeiras facas. Terminei comprando uma de cada tamanho, mas minha favorita é a de 12 polegadas. No início tive um pouco de dificuldade, mas me acostumei rápido.

Em relação às facas vale a máxima de que “não importa o tamanho e sim o prazer que ela lhe proporciona”. Procure uma faca que “case” com sua mão, que tenha empunhadura, isso dará mais confiança na execução dos cortes.


Mantenha sua faca amolada

O prazer em trabalhar com uma faca que corta bem é inversamente proporcional a tortura de usar uma faca cega. Um cozinheiro que se preza (amador ou profissional) se preocupa em manter suas facas bem afiadas.

Afiar uma faca é um pesadelo para muita gente. Boa parte dos meus colegas não quer perder 5 minutos para amolar sua faca. Ou por não saber como fazer, ou por preguiça. Sei que é um procedimento meio chato, mas vale à pena, por dois simples motivos: Praticidade e segurança

Não vou me deter em dicas para afiar uma faca porque existem vários manuais na internet e muitos vídeos no You Tube tratando do assunto. Escolha o método que melhor se adaptar. Recomendo apenas que sempre tenha à mão uma pedra de amolar e uma chaira. A pedra serve para você reduzir o fio da lâmina e a chaira para afiar.

Sempre que utilizar sua faca, utilize a chaira para recuperar o fio (como fazem os açougueiros). Evite usar a faca até que ela fique completamente cega, pois você terá mais dificuldade para afiá-la novamente.


Facas cegas são extremamente perigosas.

Todo mundo respeita uma faca afiada, mas é displicente com uma faca cega. É justamente aí que mora o perigo. A faca foi feita pra cortar, não é um serrote sem dente. Não consigo entender os colegas se contorcendo e trocando a faca de mão, fazendo peripécias e executando manobras arriscadíssimas para cortar um pedaço de carne ou um legume. O resultado final é um legume amassado e uma carne dilacerada. A apresentação da preparação já era.

Um colega quase perdeu um dedo em uma dessas “manobras”: uma peça de carne suspensa no ar, uma faca cega na mão e um momento de distração. Saldo: 8 pontos no dedo e 2 semanas afastado do curso.


Escolhendo sua faca

O sonho de qualquer cozinheiro seria ter um conjunto de facas forjadas, feitas artesanalmente sob encomenda. Feito à medida de sua mão. Mas esse “sonho” é inviável financeiramente pra maioria quase absoluta dos cozinheiros profissionais.

Mesmo para os cozinheiros de fim-de-semana, recomendo fugir daqueles conjuntos de facas que custam 20 ou 30 reais com 10 peças. É uma furada. Material de péssima qualidade e que não consegue manter o fio mesmo após cortar um tomate. Invista um pouco mais e compre um material melhor.

Existem facas para quase todos os usos (na faculdade recebemos uma lista com quase uma dezena delas), mas dá para sobreviver tranquilamente com três:

Faca de Chef - lâmina larga que pode ter 8, 10 ou 12 polegadas. Executa praticamente qualquer serviço de corte.


Faca de desossar - lâmina estreita que pode ser rígida ou flexível tem cerca de 6 ou 7 polegada. Útil, para separar a carne do osso.


Faca de legumes - lâmina estreita e rígida de 3 ou 4 polegadas. Úteis para pequenos cortes e também para descascar.


Chaira estriada
– pode ter entre 8 e 14 polegadas (o ideal é que seja pelo menos 2 polegadas maior que sua faca) para manter e afiar as lâminas das facas.


Algumas observações

Antes de comprar suas facas, fique atento(a) a alguns detalhes:

Lâmina: deve ser de aço carbono ou aço inox. Quanto melhor a qualidade, mais tempo ela manterá o fio e maior a facilidade para afiar.

Cabo: no mínimo um terço da lâmina deve estar dentro do cabo (injetado) que pode ser de aço inox ou de polipropileno. Deve também ser anatômico. Escolha uma de acordo com o tamanho de sua mão, deve ser confortável de segurar.

Peso e equilíbrio: verifique o equilíbrio entre o peso do cabo e a lâmina. Uma faca leve demais tornará seu trabalho cansativo.

Acabamento: o acabamento final da faca nos dá uma idéia da qualidade da peça. Mas não deixe se levar somente pela aparência, afinal tem muita porcaria custando caro.




Preços e marcas

Ainda não tive oportunidade de trabalhar com as marcas importadas mais conhecidas como Wüsthof, Henckels e Global ou as nacionais Vitorinox e Zakharov. Mas sei que não é preciso gastar muito para se obter facas com qualidade.

A Tramontina e a Mundial tem em suas linhas profissionais produtos que atendem às necessidades de qualquer cozinheiro. As minhas são da linha profissional da Tramontina. Consegui comprar a de 12 polegadas por cerca de 45 reais, a de 10 polegadas por 30 reais, a de desossa por 14 reais e a de legumes por 6 reais. Na internet os preços eram um pouco maiores.

Caso tenha grana sobrando, “se jogue” nas top de linha “Century” da Tramontina ou “Prestige” da Mundial. São mais baratas que as importadas, mas bem mais caras que a linha profissional. Além de um design mais refinado elas são facas mais pesadas, melhores para trabalhar.

Eu estou satisfeito com as minhas, mas confesso que, de vez em quando, fico “namorando” outros modelos de mais peso. Apesar do pouco tempo de uso já sinto as facas leves em minha mão. Por enquanto é só namoro. Prometi pra mim mesmo que primeiro vou aprender a usá-las corretamente e quando estiver merecendo, me presenteio com algo melhor.

Outro aspecto que também evita que eu mude de faca é que a maioria das marcas de “top de linha” não trabalha com facas de 12 polegadas, minhas favoritas. Algumas chegam no máximo a 8, que para mim é um canivete.

Dicas:

1. Lave bem suas facas, com água fria e sabão, seque-as imediatamente.

2. Evite cortar ou picar alimentos sobre superfícies de vidro, pedra ou metal , isso contribui para a perda do fio da faca.

3. Evite guardar as facas junto de outras facas (o atrito das lâminas pode danificar o fio).

4. Mantenha sua faca afiada. Sempre.

5. Lembre-se de lavar sua faca sempre que afiá-la e antes de usá-la

Fontes

http://glossarioeutensilioschefcrisleite.blogspot.com/2009_09_01_archive.html

http://www.charutosebebidas.com.br/materias/facascortaessa.htm

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Abará

Conta a história que o abará representa o àkàrà (brasa) esfriado pelo amor, sentimento que amolece o coração humano. A iguaria é dedicada Obá, orixá que traz em seu corpo a marca do amor incondicional.

A massa do abará é bem parecida com a do acarajé. Só que um pouco mais fina. Se utilizarmos uma massa solta, mais grossa, o abará pode ficar “quebradiço” depois de cozido.

Receita do Abará

Ingredientes:

1 kg de massa de feijão fradinho

500 gramas de cebola (passada no liquidificador)

100 gramas de camarão seco (processado)

300 ml de azeite-de-dendê

50 gramas de amendoim (idem)

50 gramas de castanhas (idem)

10 gramas de gengibre

Sal à gosto

Modo de fazer:

Em uma panela coloque todos os ingredientes e misture com uma colher até obter uma massa homogênea.

Corte a palha de bananeira no tamanho que desejar e deixe em uma solução com cloro por 10 minutos e depois enxágüe.

Envolva as porções da massa na folha e leve ao fogo em banho-maria por 45 minutos.

Dicas:

Assim como a massa, é possível encontrar as palhas de bananeira em feiras livres. A palha é passada no fogo para que fique flexível e mais fácil de dobrar. Só não se esqueça de higienizá-la.

Se desejar dar uma incrementada no abará, é possível adicionar à massa uma porção de camarões frescos (pré-cozidos).

O abará vai muito bem acompanhado de camarão seco, vatapá e pimenta.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Acarajé

O acarajé dos Iorubás da África ocidental que deu origem ao brasileiro é semelhante ao falafel árabe inventado no Oriente Médio. Os árabes levaram essa iguaria para a África nas diversas incursões durante os séculos VII a XIX. As Favas secas e Grão de bico do falafel foram alternados pelo feijão-fradinho na África.

Comida ritual do orixá Iansã, na África, é chamada de “àkàrà” que significa bola de fogo, enquanto “jê” possui o significado de comer. No Brasil foram reunidas as duas palavras numa só, acara-je, ou seja, “comer bola de fogo”.

O acarajé, o principal atrativo no tabuleiro, é um bolinho característico do candomblé. Sua origem é explicada por um mito sobre a relação de Xangô com suas esposas, Oxum e Iansã:

Segundo a lenda, a deusa dos ventos, mulher de Xangô, foi à casa de Ifá, buscar um preparado para seu marido. Ifá entregou o encantamento e recomendou que quando Xangô comesse fosse falar para o povo. Iansã desconfiou e provou o alimento antes de entregá-lo ao marido, nada aconteceu, quando chegou em casa, entregou o preparado ao marido, lembrando o que Ifá dissera.

Xangô comeu e quando foi falar ao povo, começaram a sair labaredas de fogo da sua boca, Iansã ficou aflita e correu para ajudar o marido gritando “Kawô Kabiesilé”. Foi então que as labaredas começaram a sair da sua boca também.

Diante do ocorrido o povo começou a saudar Xangô por grande rei de Oyó, rei de pai do fogo.

O bolinho se tornou, assim, uma oferenda a esses orixás. Mesmo ao ser vendido num contexto profano, o acarajé ainda é considerado, pelas baianas, como uma comida sagrada. Por isso, a sua receita, embora não seja secreta, não pode ser modificada e deve ser preparada apenas pelos filhos-de-santo.

O primeiro acarajé (o acará) sempre é oferecido a Exu pela primazia que tem no candomblé. Os seguintes são fritos normalmente e ofertados aos orixás para os quais estão sendo feitos.

Receita do Acarajé

Ingredientes:

1 kg feijão fradinho (quem não quiser ter o trabalho citado no post anterior de manipular o feijão, pode comprar a massa pronta);

100 gramas de cebola (passada no liquidificador);

15 gramas de sal;

Azeite-de-dendê.

Modo de fazer:

Bater a massa e acrescentar a cebola e o sal. Continuar batendo a massa até que ela fique mais leve. O segredo para o acarajé ficar macio é o tempo que se bate a massa.

Utilize uma colher para bater a massa e outra para pegar a massa e moldar os bolinhos. Para fritar, utilize uma escumadeira e um garfo para virar os bolinhos.

Para fritar, use uma panela funda com bastante azeite-de-dendê. Azeite deve estar em uma temperatura entre 120 a 150º antes de colocar o primeiro acarajé para fritar.

O acarajé pode ser servido com vatapá e camarão seco. Em alguns lugares se utilizam também salada e caruru, mas pra mim, quanto mais simples, melhor.

Dicas:

Depois que começar a fritar controle a temperatura do azeite, baixando o fogo quando for necessário.

Entre uma leva e outra de acarajés, bata a massa novamente para evitar que ela assente e acarajé fique massudo ou “pesado”.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Acarajé e Abará

O acarajé e o abará, duas iguarias típicas da culinária baiana, são preparados a partir de um trabalhoso ritual, lá no SENAC.

O acarajé é feito com feijão fradinho, que deve ser quebrado em um moinho em pedaços grandes (no SENAC utilizamos o feijão já quebrado). A primeira etapa é a manipulação do feijão que consiste em peneirá-lo, para tirar as impurezas, láva-lo, colocá-lo de molho, retirar das cascas e catá-lo.

Depois de limpo ele é novamente triturado. Uma massa mais fina é utilizada para o abará enquanto q a mais grossa para o acarajé. O problema é encontrar o ponto da massa já que o triturador que utilizamos lá é bastante rústico e não tem nenhum tipo de marcação que possamos utilizar como referência.

À massa do acarajé acrescenta-se sal e cebola. A massa é batida e o acarajé é frito em um tacho com azeite-de-dendê.

À massa do abará, alem do sal e cebola, são acrescentados também o azeite-de-dendê, gengibre, camarão, castanha e amendoim. A massa é então enrolada em pedaços de folhas de bananeira (cortada, higienizada) e levada ao cozimento em banho-maria.

(no próximo post, a história e a receita do acarajé)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Bons tempos

Se pudesse voltar aos meus tempos de escola e me reencontrar todos os professores com quem estudei, não ficaria com a sensação, que tenho hoje, de que não fui grato o suficiente. Deveria ter agradecido a cada um deles pela contribuição que tiveram na minha formação. Mesmo aqueles de quem não gostava muito, os que eu achava chatos, ou rígidos, ou sonolentos ou não sei mais o que. Mesmo esses, ajudaram a me tornar o que sou hoje.

Sempre houve algo em comum entre os professores que eram queridos e aqueles que nem tanto assim: noção de respeito. Eu aprendi em casa que os professores eram a representação dos pais na escola. Desrespeito na escola significava ofensa em casa.

Quando me tornei professor não tinha consciência que herdaria um pouco dessa carga. Nunca imaginei que poderia me tornar uma referência importante para os meus alunos. É claro que em virtude de todas as transformações no comportamento e relações humanas, o professor desempenha hoje, um papel diferente.

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Há cerca de 20 anos atrás, as únicas fontes de informações acessíveis para a maioria dos alunos eram a escola, bibliotecas e enciclopédias. Televisão e cinema: sinônimos de diversão; internet não existia. Hoje as informações de casa e da escola concorrem com o bombardeio de desinformações da “rua” e dos meios de comunicação e nesse contexto se redefinem e o papel da escola e do professor.

O professor não possui o monopólio da verdade (nunca possuiu, mas antes ninguém podia questionar) e nem deve ser esse o seu papel. Ao contrário, ele deve servir como uma das possibilidades do acesso ao conhecimento, estimulando a busca pelo aprendizado.

As informações estão todas aí. Disponíveis, truncadas, sobrepostas, espalhadas, desencontradas. Como utilizá-las, para servem, quais delas nos servem, como gerenciá-las? Mais do que “dar o peixe” o professor deve ser o provocador. A juventude (em qualquer geração) não combina com respostas prontas.

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Apesar das novas atribuições, o professor não esta livre das antigas. Ele ainda tem a responsabilidade de servir de referência, ética, moral. Substitui pai, mãe, amigo irmão e além de tudo, é professor.

Mas pensando bem, quem dera essas responsabilidades fossem as “únicas” preocupações. Conversando um uma ex-colega de trabalho na semana passada, ela queixava-se terrivelmente das condições de trabalho. Disse que assim como aconteceu comigo, passa os dias pensando em jogar tudo “pra cima”.

Ao mesmo tempo, leio no jornal que dois alunos foram feridos em uma troca de tiros na frente de uma escola em Camaçari. Em Salvador, um aluno foi esfaqueado por outros dois dentro da sala de aula. Em Vila de Abrantes, agressão física de alunos contra professores e diretores (o diretor de uma escola já foi esmurrado em duas ocasiões) virou rotina.

Falando assim, nem parece que trabalhei com Educação por tanto tempo. Não era uma maravilha, mas também nunca foi isso que ouço, leio e assisto hoje. Nem parece o mesmo “esporte”. Nunca fui desrespeitado em uma sala de aula e só testemunhei agressão entre os próprios alunos. Mesmo assim nada que envolvesse facas, canivetes ou armas de fogo.

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Antes o medo rondava os profissionais que trabalhavam nas escolas públicas de subúrbios e regiões periféricas, em pouco tempo chegou às colégios particulares. Hoje nem as instituições de nível “superior” escapam.

Sinto muito pelos amigos e colegas que tem na Educação sua fonte de sustento. Hoje, embora me preocupe me sinto à vontade no papel distanciado de observador. E penso que nem foram esses, os motivos que me tiraram da sala de aula.

Fica aqui o meu respeito por esse profissionais que insistem, persistem e continuam acreditando.


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Casa do Comércio

Levantei cedo e fui para o SENAC Casa do Comércio, para garantir a inscrição no Curso de Cozinheiro que começa em março do ano que vem.

Não tenho certeza se vou fazer o curso. Mas é melhor garantir a vaga e deixar pra decidir depois.

As inscrições começariam às 9h então quando cheguei às 8h26 e só haviam... 60, eu disse 60 PESSOAS na minha frente, para disputar uma das 16 vagas.

Quando saí, as 11h o número de candidatos já passava dos 100.

A concorrência não me preocupa, mas foi chato pra cacete perder a manhã inteira só para fazer a inscrição.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

IanSãnta Bárbara

A festa em homenagem a Santa Bárbara, padroeira dos bombeiros, abriu o calendário de festas religiosas em Salvador, neste sábado, 4 de dezembro. Santa Bárbara é a madrinha do Corpo de Bombeiros e padroeira dos mercados. Santa Bárbara também é homenageada pelos adeptos do Candomblé onde é conhecida por Iansã, Orixá dos raios e das tempestades...

Uma alvorada de fogos em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos anunciou o início do evento. Uma missa campal foi realizada no Largo do Pelourinho, uma vez que a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos está passando por reformas.

Já têm um tempo que não participo das famosas “festas de largo” aqui em Salvador, mas tenho que admitir que estava tudo muito bonito. Dei uma escapada para registrar uma parte da festa que tomou conta de todo o Pelourinho.

Depois da missa, os fiéis seguiram em procissão pelo Centro Histórico. Os festejos continuaram durante a tarde, com diversas atrações musicais.

Após a missa, várias entidades distribuíram o caruru de Santa Bárbara aos fiéis... e infiéis tb.

Receita do Caruru

Ingredientes:

1200 gramas de quiabo

120 ml de azeite de dendê

100 gramas de camarão seco processado (triturado)

100 gramas de amendoim torrado sem casca processado

100 gramas de castanha processada

100 gramas de camarão seco (inteiros)

½ colher de chá de gengibre ralado

Caldo de peixe

Sal a gosto

Modo de fazer:

Cortar os quiabos bem miudinho ou passar em um processador.

Refogar em azeite-de-dendê os camarões secos a cebola e acrescentar o quiabo e o caldo de peixe.

Mexer e acrescentar o amendoim, a castanha, o camarão seco e o gengibre.

Deixe cozinhar, mas não deixe de mexer, cuidando para não grudar o fundo da panela.

Cozinhe até adquirir uma consistência pastosa.

Você pode controlar a coloração do preparo com o uso do azeite-de-dendê (Só tenha cuidado para não exagerar)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Matutando

Acordei 03h45min da manhã. Perdi o sono. Talvez pela falta de costume em dormir antes da meia-noite como ocorreu ontem. Aproveitei para “matutar” um pouco. Tenho refletido bastante sobre faculdade. Quando entrei, pensei em pegar todas as disciplinas que pudesse e terminar o curso no menor tempo possível.

Sei q essa idéia é, em parte, fruto de ansiedade pelo começo de uma nova carreira. Mas não foi preciso muito tempo para perceber que estes são outros tempos. Em minha primeira graduação eu tinha 19 anos, estudava durante o dia, lia alguns livros por semana, tinha tempo pra trabalhar e me divertir. Eu me matriculava em 5 ou 6 disciplinas por semestre e dava conta de tudo.

Hoje com o dobro da idade, encaro um curso noturno em todas as suas particularidades. Das 5 disciplinas em que me matriculei, conclui 4. Na outra, bastaram 15 minutos de aula para saber que não voltaria mais lá. Li muito pouco, só o suficiente para fazer as atividades e seminários. Sinto-me desgastado física e mentalmente, apesar da faculdade não ter exigido muito de mim.

Conciliar a atividade acadêmica com o curso técnico sem uma atividade remunerada não é fácil. Estou em dívida com novos e velhos amigos, estou em dívida com o coração. Sei que é só uma fase... que vai passar. Só não esperava ter que rever minhas prioridades tão cedo.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Estou moído...

Quando acordei e olhei as horas, não acreditei. Meu corpo dizia que eu havia dormido 20 minutos... O relógio dizia que haviam sido 6 horas. Deu vontade de não sair da cama.

Mas levantei, tomei um banho frio e me mandei para o Senac. Quando cheguei no setor da cozinha em que estou treinando, estava lá, em um espaço de aproximadamente 15m²:

6 caixas de abacaxi;

8 caixas com melancias enormes;

6 caixas de tomate;

2 caixas de coentro;

1 caixa de hortelã;

1 caixa de cebolinha;

1 caixa de alface;

1 caixa de limão;

6 caixas de laranja;

1 caixa de cenoura;

3 caixas de batata;

2 caixas de melão;

1 caixa de chuchu;

1 caixa de pimentão;

½ caixa de acelga;

1 caixa de repolho;

1 caixa de couve.

É o que a memória permite lembrar. Todos esses itens são levados para uma pia enorme e depois lavados, sanitizados com cloro, ensacados (exceção para melancias, melões, tomates e abacaxis). Depois são colocados de volta na caixa e levados para uma câmara fria. Essa foi a minha atividade do dia de hoje. Das 8h da manhã às 15h.

Sozinho.

Faz parte da rotina de glamour de um aprendiz de cozinheiro.


Ctrl + Alt + Del *

O problema de recomeçar (qualquer coisa) é a sensação de que o caminho a seguir é muito maior que aquele que já percorri. Com um agravante: tenho menos tempo para fazê-lo.

Mas encaro isso como um obstáculo aceitável, uma "compensação" pela bagagem de experiência que me acompanha.

Sempre que me vejo diante do dilema de continuar ou recomeçar, opto pelo que me fará feliz. Isso normalmente tem um preço. Mas não me incomodo. Aceito pagar. Sendo assim... Ctrl + Alt + Del !!!


* Quando escrevi esse texto há vários meses atrás, o intitulei “Restart”. Tive que mudar por razões óbvias. Ah, e a propósito... sou do tempo em que Ctrl + Alt + Del reiniciava o computador”.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Do zero

Eu fiz de tudo na vida
Eu dei um duro danado, pra te ter do meu lado
Pra viver contigo pro resto da vida

Eu batalhei adoidado, pra te ter do meu lado. E você também se virou do avesso e se livrou do passado, pra viver do meu lado

Pra viver comigo pagou qualquer preço que te fosse cobrado,
pra viver do meu lado.
E quando eu considero, que tenho o que quero,
O amor nos pede pra recomeçar do zero

Pra te ser sincero não me desespero,
quem amou já sabe o que é recomeçar do zero
Amor, te venero. Tudo o que eu espero...
é que haja forças pra recomeçar do zero (Por Edu Tedeschi)